MINHA TAÇA TRANSBORDA
Não sei se é o vinho
Não sei se é Bach
Não sei se é a morte de amigos
Não sei se é o sentir a dor de amigos
Doer dentro de mim
Não sei se são as dores que causei
Que causo
Não sei se é o poema de Lorca
Que inicia estas lágrimas
E esta apertada dor em mim
Tem também
O canto profundo do navio
Que pode ser uma saudação
Mas mais parece um lamento
Lamento da profunda solidão do mar
E seus seres vagando naquele infinito
Não sei se é esse profundo amor por tudo
Que é tão bom
E que também dói tanto pela dor dos outros
Que sei
Ou imagino, ou sinto
O quanto dói
E que sei também
Que é passagem, aprendizado
Mas que nem por isso deixa de doer neles
E em mim por eles...
Agora Mozart
Que há em Mozart
Que toca a alma do mundo?
E se entrega com tanto amor
E compartilha essa dor
E faz dela
Esse amor que tudo abarca
E que a todos consola e irmana?
Minha taça transborda
Nossa alma
De todos nós
Transborda sempre de amor
É só deixá-lo fluir
Invadir
Ele está lá
Aqui
Sempre
Amor
Maria Haro
Rio,11/12 de janeiro de 2008